Sergio Lyra
Há um tempo atrás ouvi em uma palestra a informação de que mais de 50% do combustível gasto por um avião é despendido para mantê-lo na rota. A intenção era destacar o esforço que é feito em certas atividades que, geralmente, não se percebe sua importância e necessidade. O ministério pastoral é inquestionavelmente uma ação que procura manter a igreja na rota estabelecida pelos princípios das Sagradas Escrituras. Restaurar a igreja quando há desvios é tarefa pastoral que requer esforço, tempo e recursos consideráveis.
Geralmente quando se fala em revitalização de uma igreja, é comum vir à mente uma tarefa isolada, que requer a intervenção de um pastor especialista em uma comunidade que está passando por uma grave crise. De fato, uma igreja que está enfrentando problemas necessita de ajuda, entretanto se entendermos que a igreja é composta por pessoas que falham, que ela é alvo da ação do reino de trevas e que encontra resistência para viver e praticar as verdades do evangelho no mundo, sempre haverá alguma área que estará precisando de revitalização. Em outras palavras, estou dizendo que o ministério pastoral lida com a revitalização de diversas áreas da igreja, seja através de cuidados simples do cotidiano, ou em situações que exigem mais conhecimento e experiência.
A busca por manter uma igreja viva, santa e relevante no contexto em que está inserida, deve ser a prioridade de todos aqueles que são chamados para liderar o povo de Deus. Essa tarefa começa com o próprio líder, como mostra a orientação dada pelo apóstolo Paulo aos presbíteros da igreja de Éfeso: “Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho que o Espírito Santo entregou aos seus cuidados como pastores da igreja de Deus que ele comprou por meio do sangue do seu próprio filho.” (At 20.28 NTLH). Para cuidar bem da igreja, o líder deve em primeiro lugar cuidar de si mesmo, e isso implica na atenção do pastor para com o cuidado da sua vida pessoal e familiar, cuidado com o seu ministério e atualização teológica, bem como procurar entender a realidade do seu contexto e tempo, como dizia Spurgion: O pastor deve ter a Bíblia na mão e o jornal na outra.
Creio que o propósito das cartas do apóstolo Paulo não foi outro se não o de manter a vitalidade da igreja. Cada carta visava necessidades particulares de uma ou mais comunidade que necessitavam de instrução, incentivo ou correção. Com o mesmo propósito, encontramos o apóstolo João escrevendo no livro de Apocalipse as sete cartas ordenadas por Jesus Cristo para as sete igrejas da Ásia. Nessas cartas destaca-se claramente a responsabilidade dada ao pastor, anjo (mensageiro) da igreja, para intervir e restaurar os problemas identificados (Ap 2 e 3).
Faz alguns anos que tenho estado mais perto da proposta da ALEF (Associação de Líderes Evangélicos de Filipe Camarão) para ajudar pastores. Através dos congressos e cursos, tenho também constatado a importância de despertar pastores para aprimorarem seus ministérios e buscarem melhor capacitação para servir a igreja. Percebo que houve grandes avanços na proclamação do evangelho na nossa região nordeste, provocando o surgimento de milhares de igrejas, e que isso requer pastores que sejam instrumentos do Espírito para manter a vida dessas igrejas, proporcionando crescimento segundo os fundamentados da palavra de Deus.
Quero lhe parabenizar você por estar com este material da ALEF em suas mãos. Alegro-me em poder encorajá-lo a não apenas ler de maneira atenta cada reflexão, mas estudá-las com profundidade. Os vários artigos oferecem reflexão teológica e a realidade de líderes e pastores que estão lançando a mão no arado na nossa região nordeste. Este livro é uma produção de líderes autóctone, com experiências e conteúdo de grande valor. Boa leitura e proveito no seu ministério.
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